wasn't planning on rewatching this today or any time soon but my husband put it on after work and I couldn't help watching along for the whole movie. just a great film.
isso, galera! bora criar um filme pra satirizar a família de classe média disfuncional americana e a sexualização infantil somada com uma ideologia de vencedor x perdedor nociva à sociedade!
e como a gente vai criticar a objetificação infantil dos concursos? já sei! bora pegar um monte de menininha de 6 anos de verdade na vida real, entupir elas de maquiagem, bronzeamento artificial e roupa curta, e gravar elas sendo sexualizadas pra botar no nosso filme indie cult!
e assim, é claro que se filma violência pra criticar a violência, se filma a pobreza pra criticar a pobreza, mas quando um diretor filma um assassinato, o ator não leva um tiro de verdade e a pobreza pode ser cenografia. só que pra filmar a hipersexualização de uma criança, você não tem como fazer de mentirinha. a câmera precisa literalmente hipersexualizar uma criança real ali no set. a lente do filme está ativamente produzindo, estetizando e consumindo a mesmíssima imagem bizarra que jura repudiar.
aí, gente, pra continuar com isso, bora, sei lá, colocar um avô, pra uma criança pré-púbere, cujo papel vai ser uma pessoa total doidonaaaa, sem filtroos uuhull, ele vai usar droga, ler revista pornô, falar de sexo, sexo, sexo e sexo!
mas ai, galera, ele vai ter um fraquinho emocional de amor de avô pela netinha de 7 anos, e aí pra mostrar esse amorzão inocente e genuíno dele, vai ensinar pra ela um monte de passo sexualizado pra ela apresentar pra um montão de adultos num evento gigante!
aí, depois, só pra pôr a cereja no bolo, vamos colocar bem no final do filme uma sátira humorística muito forte, vai ser assim: a neta vai entrar, fazer os passos sexualizados que foi ensinada, MAS! homenagear tuuudo ao vovô, e aí a gente vai fazer uma ginástica mental dizendo que a homenagem é tão fofinha e libertadora... como ela mesmo sendo diferentinha das outras meninas consegue performar com inocência... mas, claro, é essencial criar a amnésia seletiva pra você esquecer toda a construção grotesca do personagem do avô, tá bom?
o filme simplesmente se torna exatamente o que procura satirizar. além ainda da superficialidade dos tropos: o homossexual depressivo/suicida, o pai coach motivacional, o adolescente niilista nietzschiano. personagens que o roteiro cria, dispõe o mais genérico possível, e descarta.
não tive uma boa experiência pois algumas partes me deixaram desconfortável e no meu ponto de vista são muitas situações jogadas de uma vez só em cima do telespectador. minha primeira experiência não foi tão boa mas pode ser que caso eu assista novamente mude um pouco o modo de ler e interpretar as cenas (tô até agora tentando entender qual o intuito)